• Chegou a hora da verdade, golpistas

    No Blog da Cidadania

    Imagino que poucos tenham sido os que perderam tempo de sono assistindo à encenação barata levada a cabo no Senado da República na madrugada desta quinta-feira, 12 de maio de 2016. Este blogueiro não esteve entre esse bando de crédulos, por óbvio. Pouco importou o que disse este ou aquele senador. As cartas estavam marcadas.

    Não aconteceu nada de relevante no Plenário do Senado. Todos sabiam que nada havia a esperar. Nenhuma defesa de Dilma, por mais brilhante que fosse, mudaria o rumo das coisas. Nenhuma acusação que coonestasse o que lá ocorria veio nos salvar da confirmação de que a democracia estava sendo violentada com requintes de crueldade – pela capa torturante de “legalidade” (mal) estendida sobre o processo de impeachment de Dilma Vana Rousseff.

    O impeachment, pode-se dizer, ocorreu sob amplo constrangimento dos seus autores, dos seus executores e da assistência no entorno.

    Leia mais em Gestão Dória será investigada por cárcere privado de servidores


  • A Justiça de Moro – Cláudia Cruz, inocentada. Já Marisa Letícia, nem depois de morta.

    O Cafezinho

    Por Bojonas Teixeira Marisa Letícia, submetida ao estresse extremo, sofreu um AVC e morreu. Os médicos são unânimes em que o ambiente de pressão, de perseguição e linchamento foi causa decisiva para essa morte. Mas, mesmo assim, Sérgio Moro não a absolveu. Os advogados pediram a absolvição dela após a morte. Mas ele não aceitou. Apenas decretou a “extinção da punibilidade”. Ou seja, manteve um espinho cravado sobre a alma dela, mesmo depois de morta. Perseguindo-a, com as fúrias da lei, mesmo no outro mundo. Mas e Claudia Cruz? Cláudia, foi absolvida.

    Marisa Letícia nunca teve conta na Suíça, não fez gastos de US$ 526 mil no cartão de crédito, ou seja, mais de meio milhão de dólares, em compras suntuosas nas capitais do luxo. No entanto, apesar de Cláudia, como é conhecida na intimidade, gastar mais de meio milhão de dólares em futilidades, Moro viu nisso só inocência. Só vislumbrou boa fé. No caso de Maria Letícia, ao contrário, aceitou a denúncia ridícula que a acusa de lavagem de dinheiro por um triplex que ela nunca usou. Cláudia Cruz comprou, usou, consumiu, usufruiu, ostentou. Mas é inocente. Já no caso de Marisa, não comprou, não usou, não habitou – Mas havia elementos suficientes para que o juiz aceitasse a acusação.

    Leia mais em A Justiça de Moro – Cláudia Cruz, inocentada. Já Marisa Letícia, nem depois de morta


  • Doleiro preso por tráfico ajudaria Aécio na lavagem de propina, suspeita Lava Jato

    GNN Notícias

    Jornal GGN - No documento em que reforça o pedido de prisão contra Aécio Neves ao Supremo Tribunal Federal, o procurador-geral da República Rodrigo Janot revela que além da empresa da família Perrela, um doleiro condenado por tráfico internacional de diamentes é suspeito de ajudar o senador mineiro na lavagem da propina que ele teria recebido da JBS.

    Nas investigações sobre o caso, a Polícia Federal flagrou o assessor parlamentar de Zezé Perrela, Mendherson Souza Lima, conversando de maneira cifrada com o doleiro Gaby Amine Toufic Madi, condenado a 7 anos de prisão em 2016.

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  • Recomendo leitura

Nós, os “vagabundos”

manifestoGG

Foto de Wellington Frazão

Algumas pessoas que não concordam com a greve geral nos chamaram de vagabundos. Não posso odiar uma pessoa que pensa assim, mas ter comiseração dela porque seus olhos se turvam à realidade que lhe esmaga a compreender os fatos.

Paulo Freire, educador mais lido no mundo, dizia que antes das palavras precisamos aprender a fazer a leitura de mundo. Compreender o mundo que nos cerca observando criticamente as intencionalidades contidas nas atitudes das pessoas e das instituições.

Nos chamam de “vagabundos” com a leitura simplificada dos lados esquerda e direita, mas desfrutam dos benefícios que os “vagabundos” que nos antecederam conquistaram com suas lutas. Claro! Todos os “vagabundos” são de esquerda porque não se curvam ao escravismo ou aos privilégios de uma minoria hegemônica da direita. Nós, os “vagabundos” de esquerda somos muitos, maioria, e somos massacrados diuturnamente pela minoria de direita que se impõe pela força -inclusive armada- com a proteção das mídias, das forças repressoras do Estado (polícias) e do judiciário.

Nossa luta ontem foi para manter nossas conquistas históricas que culminou com a instituição Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Não, ninguém estava pedindo pra votar no Lula, no PT. Isto vamos fazer no período eleitoral ano que vem. Nossa luta nesse dia 28/4, histórico com a maior greve geral desde a ruptura do período ditatorial, foi simplesmente para manter nossas conquistas e contra a Reforma da Previdência que eleva a idade mínima para se aposentar.

Na Praça Nossa Senhora da Conceição eu me reuni com alguns “vagabundos” para fazer um movimento de conscientização. Não conseguimos – e nem tentamos impedir – fazer as pessoas deixarem seus postos de trabalho pela causa, mas conseguimos plantar a semente do pensamento crítico. Muitos deputados e senadores são donos de escolas ou delas se beneficiam. Eles, evidentemente, não querem que a escola pública funcione com qualidade porque precisam ganhar dinheiro. E como filhos de pessoas pobres não podem pagar escolas de qualidade para seus filhos terão que se sujeitar à uma escola pública depredada, sem qualidade e com professores desmotivados. Isto tem uma intencionalidade: nossos filhos, filhos de “vagabundos”, não podem adquirir capacidade para ingressar numa universidade pública e, se conseguirem, não poderão ter ensino qualificado porque não podem disputar os melhores empregos com os filhos dos ricos. Filho de pedreiro tem que ser pedreiro para construir as casas dos ricos; filha de empregada doméstica tem que ser empregada doméstica para limpar a privada dos ricos.

Lembramos que nossa cidade teve uma maternidade fechada por falta de investimento do governo local, do pmdb, o mesmo partido de Eduardo Cunha e de Michel Temer, o presidente golpista, e isto tem uma intencionalidade: hospitais e clínicas particulares precisam ganhar dinheiro. É por isto que escolas, universidades, hospitais e clínicas particulares financiam esse câncer que é o pmdb, o partido mais ardiloso na política.

Os que nos chamam de “vagabundos” escolheram seu lado e estão do lado dos opressores. Se contentam com as migalhas que caem das mesas abastadas dos ricos. Nós “vagabundos” queremos ter as mesmas condições com trabalho e renda dignos de um chefe de família que tem de sustentar seu rebanho familiar sem a necessidade de catar as migalhas que nos deixam cair para nos manter em obediência servil.

Nosso movimento não teve ampla adesão. Aliás, teve petistas que foram trabalhar para o governo do pmdb local e desdenhou a luta dos “vagabundos”, ignorou sua classe e optou pelos golpistas numa associação servil e covarde, mas os que na praça levaram seu grito e sua solidariedade puderam dizer aos trabalhadores que toda conquista demanda luta, demanda entender a história da nossa sociedade e demanda de uma leitura de mudo capaz de compreender que a classe dominante jamais permitirá amigavelmente que trabalhadores ocupem os mesmos espaços. Por isso nos chamam “vagabundos”; nos tratam como “vagabundos”, mas como “vagabundos” que constroem sua própria história plantamos no coração das mulheres aquele sentimento de que são maioria e não podem ser tratadas como minorias; plantamos nos corações dos negros e negras que eles são maioria e não podem ser tratados como minorias; plantamos no coração dos trabalhadores que podem num futuro próximo dar o troco naqueles que nos tratam como “vagabundos” não reelegendo os que nesse período histórico nos tiram os direitos conquistados com sangue e luta de muitos “vagabundos” dos quais temos imenso orgulho.

A nossa luta não é entre direita e esquerda. É uma luta de classes por igualdade, justiça, solidariedade, e paz. Nós escolhemos defender os menos favorecidos – a classe trabalhadora!

Crianças registram incompetência do Poder Público

Em 2014 as enchentes em Queimados foram alarmantes.

O jornal O Dia registrou o prejuízo que afastou três mil alunos das salas de aula por causa das enchentes.

Parecia que a catástrofe poderia resultar em boas políticas que minimizassem o problema. Ledo engano!

Em dezembro de 2014 e janeiro de 2015 os problemas se repetiram. O que foi feito? Saneamento dos Rios Abel e Camorim. No Blog da Prefeitura registraram o feito como uma das mais importantes obras do governo:

Depois do Rio Abel, Queimados agora terá Rio Camorim canalizado e urbanizado

Felipe Carvalho – Após realizar a maior obra de canalização da história do município de Queimados, a do Rio Abel, o Prefeito Max Lemos lançará nesta quinta-feira, 20, ao lado do vice-governador e coordenador de infraestrutura do Estado, Luiz Fernando Pezão e do Secretário Estadual de Obras, Hudson Braga, a partir das 19h, no Salão de Festa Elite (Rua Nilton, Lote 40 – Vila Camarim – Fanchem) uma frente de obra ainda maior. Trata-se da canalização e urbanização do Rio Camorim.

De fato a obra foi importante. Melhorou o aspecto estético da cidade, mas isto não resolveu o problema da enchente e a razão é simples: a obra só pode ser feita dentro dos limites da cidade. Fora dela, ou seja, já em Nova Iguaçu, as obras não avançaram. Neste ponto há um estrangulamento do rio dos Poços, rio que recebe as águas do Rio Abel e Rio Camorim, oriundos de Queimados. Uma vez não encontrando passagem para toda a água que flui com mais facilidade nos Rios Abel e Camorim começam a encher e isto continua afetando o centro da cidade.

As crianças registraram por celular a enchente em um bairro que fica não mais que 1,5 km da Praça Nossa Senhora da Conceição, no Centro da cidade. Vejam as imagens:

Em 2013, num debate via Facebook o secretário de Urbanismo e Meio Ambiente prometeu discutir uma solução definitiva assim que os problemas emergenciais cessassem, mas ficou apenas na promessa. O problema das enchentes continuam porque o a solução não está no escoamento das águas de chuva, mas na nossa capacidade de retê-la antes de chegar aos Rios.

Infelizmente o poder torna as pessoas arrogantes e não percebem que soluções simples e com a ajuda dos munícipes os problemas seriam minimizados se não definitivamente resolvidos.

Casa & Vídeo vai fechar loja em Queimados

Você se assustou com o título do artigo?

Mas não se assuste se isto vier a acontecer nos próximos meses.

No artigo “Alagou tudo. De quem é a culpa?” isentei o poder público da culpa porque “…Foi um sinistro atípico, inevitável. Penso, contudo, que o impacto poderia ter sido menor”.

Av. Tinguá, na Praça dos Eucaliptos

Av. Tinguá, na Praça dos Eucaliptos

E nesse mesmo artigo eu apresento algumas possibilidades, entre elas “retenção de parte da água e a construção de pequenos sumidouros. As grandes construções fazem um sistema de coleta de água para até 5 mil litros e o poder público cria pequenos sumidouros de água nas margens das vias”.

Vocês imaginam quantos litros de água poderia ser retido no subsolo da Praça dos Eucaliptos? Muitos litros, o suficiente para evitar esta cena ocorrida nesta segunda (17/02, foto).

Agora procurem avaliar quanta água entrou na Casa & Vídeo. Tiveram que fechar as portas. Os clientes sumiram e provavelmente perderam algumas mercadorias.

Se a opção da presidência da rede optar por deixar Queimados não podemos reclamar. Não é possível que a cada meia hora de chuva se perca mercadorias e oportunidades de venda. Casa & Vídeo é uma empresa comercial, vive de clientes em suas lojas. Fico imaginando se o mês de março resolver chover como se espera. Serão pelo menos 10 dias sem negócios na loja em Queimados.

Lembro-me da festa e da pompa com a qual o prefeito Max bate no peito pra dizer que levou a Casa & Vídeo para Queimados. Quero vê-lo bater no peito pra dizer que este é um problema que não vai mais se repetir para mantê-la na cidade.

Eu apresentei algumas possibilidades, mas existem muitas outras que podem ajudar. A crítica acontece agora porque depois do sinistro do final do ano passado e início deste ano não se viu nenhum movimento que pudesse resolver o problema.

Estamos falando do Centro do nosso município, o cartão de visita da nossa cidade. Estou envergonhado, mas disposto a ajudar. Penso que o prefeito Max Lemos (PMDB) pode propor um consórcio entre as cidades Nova Iguaçu, Queimados e Japeri para ações públicas com vistas a equacionar o problema. Vamos prefeito! Convida o povo pra discutir esse problema e você vai se surpreender com a quantidade de propostas, muitas delas exequíveis. E todos queremos uma solução porque afeta o outro, mas dói na gente também.

Av. Pedro Jorge, esquina com Eloy Teixeira

Av. Pedro Jorge, esquina com Eloy Teixeira

Alagou tudo. De quem é a culpa?

Modelo de captação de águas da chuva

Modelo de captação de águas da chuva

Nossa cidade ainda vive os efeitos da tragédia provocada pela forte chuva que caiu sobre ela na quinta-feira (7/12), deixando-a submersa por várias horas atingindo centenas de casas causando prejuízos ainda em estagio de mensuração. Não está sendo fácil perceber famílias interias chorando as perdas dos seus pertences e fazer muito pouco por elas.

Depois de um sinistro como o que nos ocorreu aparecem os acusadores e seus mais estapafúrdios argumentos. A tempestade não nos afetou somente, mas varias outras cidades e centenas de outras famílias das cidades do entorno Guandú, principal manancial de água potável que abastece o Rio de Janeiro. Nova Iguaçu, Queimados e Japeri me são as mais próximas e o que testemunhei não pode ser atribuido aos prefeitos Nelson Bornier (PMDB/Nova Iguaçu); Max Lemos (PMDB/Queimados) e Timor (PSD/Japeri). Foi um sinistro atípico, inevitável.

Penso, contudo, que o impacto poderia ter sido menor. Já escrevi sobre isto e volto ao temo por ser relevante e na expectativa de torna-lo uma política pública que poderá diminuir muito o impacto de temporais como o vivido neste início de dezembro. Um estudo de Vasconcelos e Ferreira (sem data), formando e orientador do curso de Engenharia Florestal da Universidade Católica de Goiás, revelam que “algumas cidades brasileiras criaram Decretos para retardar o escoamento da água que cai sobre o telhado, para evitar o colapso do sistema de escoamento de seus municípios”. É o que nos falta em Queimados e nos municípios vizinhos. Se as grandes construções, como os galpões que estão sendo construídos às margens da Rodovia Presidente Dutra, os supermercados, as escolas, postos de saúde, depósitos, ferros velhos, e cada prédio do condomínio do Valdariosa tivesse um sistema de captação de águas da chuva, milhares de milhares de litros de água seriam retardados até chegar aos Rios Abel e Camorim.

É preciso considerar o seguinte: todos queremos saneamento e pavimentação. Mas quando se faz o saneamento básico e pavimentação de um bairro estamos canalizando todo o esgotamento sanitário e as águas fluviais para um só lugar, ou seja, toda a água não retida pela comunidade tem o mesmo destino. Agora vamos considerar que o Rio Abel recebe toda a água da chuva e do esgotamento sanitário do Campo da Banha, do São Simão, do Centro, da Serrinha, do São Cristóvão, do Valdariosa, do Glória etc. Ora, antes da pavimentação o solo e a vegetação retinha um percentual da água que não chegavam ao Rio, agora não é possível mais porque o asfalto escoa a água para um bueiro e uma canalização leva toda a água para o Rio Abel. Evidente que o Rio vai transbordar quando a chuva for acima de um determinado volume pluviométrico.

Qual a saída: retenção de parte da água e a construção de pequenos sumidouros. As grandes construções fazem um sistema de coleta de água para até 5 mil litros e o poder público cria pequenos sumidouros de água nas margens das vias. São pequenos poços que tem paredes e cobertura de cimento, mas o fundo é vazado para que a água armazenada ali penetre no solo lentamente. Nas residências comuns também é possível armazenar água da chuva. Se cada casa pudesse armazenar cerca de 250 litros de água, poderíamos evitar que mais de 1 milhão de litros de água (uma piscina com 10 metros de largura, 50 de comprimento e 2 de profundidade) deixariam de desaguar no Rio Abel. Resolve definitivamente o problema? Claro que não, mas o impacto certamente será menor.

E o que fazer com a água armazenada? Ora, limpeza de sanitários, lavagem de veículos, lavagem de calçadas, regagem de jardins… Como disseram os pesquisadores da Universidade de Goiás

A água da chuva pode ser utilizada de várias formas: durante a lavagem de roupas, carros, calçadas, automóveis ou irrigação de hortas e jardins. Com isso ela é capaz de compensar deficiências, substituindo com vantagens, até 50% da água oriunda dos sistemas públicos de abastecimento (água tratada, destinada a finalidades mais nobres). Por outro lado, a retenção da água proveniente da chuva, principalmente nos centros das cidades, que possuem quase que a totalidade de seu solo impermeabilizado por ruas, calçadas e edificações, contribui para a diminuição das enchentes (Idem, S/D).

Há muitos estudos que mostram o valor do aproveitamento de águas da chuva. Penso que vivemos um momento de se pensar mais seriamente no assunto.

O Futuro do PT, em Queimados/RJ

Rildo Ferreira: foi candidato a presidente do PT pelo grupo Ação Crítica
Rildo Ferreira: foi candidato a presidente do PT
pelo grupo Ação Crítica

Antes de levar adiante o que tenho a dizer sobre o futuro do partido na minha cidade quero agradecer aos meus eleitores. Foram 148 valorosos colaboradores que não receberam ajuda pecuniária para saírem de suas casas em pleno domingo de sol para votar com as consciências de quem deseja um Partido dos Trabalhadores atuante e propositivo.  Muito obrigado mesmo!

Assim, abraço Marlene Antonio Rezende em nome de todas as mulheres que acreditaram no projeto de renovação e abraço o amigo Aroldo Cardoso Pereira em nome dos meus amigos trabalhadores que pensam um partido voltado para a militância.

Cumprimos nossa missão de provocar uma ação que levasse figuras eminentes a procurar o filiado para dizer que o partido existe. Entramos na disputa com a expectativa de 30%, sabíamos da nossa limitação. Saímos com 27,7%. Felizes e confiantes que possamos nos fortalecer.

Quanto ao futuro que nos espera é importante salientar que somos um grupo minoritário com o desejo de nos tornar maioria. Isto não é legítimo no processo democrático? Claro que é legítimo. Democracia é “a prerrogativa da maioria é governar. A minoria conserva o direito de fazer oposição e o de procurar tornar-se maioria. Ambas – maioria e minoria – não podem alterar, eliminar ou destruir as “regras do jogo”, as normas e processos pelos quais se chega livre e periodicamente à situação de maioria” (Macedo, Ubiratan Borges de. Liberalismo e Justiça Social. Ibrasa, São Paulo, 1995. p. 66). Dentro dessa lógica exigimos respeito.

Dos Santos (2007) diz em sua obra Governabilidade e Democracia Natural (FGV) que “as maiorias tendem a ser inercialmente conservadoras” e “se às minorias não for garantido o direito de operar conforme a inovação sugerida e tornar-se maioria…, a sociedade tende a estagnar-se“. Ora, se isto vale para governos de Estados e Nações porque não valer também como um conceito partidário?

E assim vamos nos comportar. Já em 2016 precisamos apoiar candidaturas a Deputado Estadual e a Deputado Federal que estejam de acordo com o nosso pensamento. Não me é possível conceber que aquela que se faz representante do grupo hoje majoritário vá concordar em compartilhar nossas ideias porque a princípio, e esta disputa no PED nos fez ver isto com mais clareza, suas atitudes são de desrespeito às minorias, de aniquilamento do contraditório – e por isto mesmo há muito não temos atividades partidárias -, e de imposição de sua visão de mundo sobre as subjetividades das demais companheiras e dos demais companheiros.

Procuramos no Estado do Rio de Janeiro e encontramos eco do nosso pensamento no atual candidato credenciado ao segundo turno do PED estadual Washington Quaquá e sua companheira Rosangela Zeidan, provável candidata a deputada estadual e no companheiro Wadih Damous, provável candidato a deputado federal. É possível que o grupo Ação Crítica acolha estas candidaturas na cidade.

Do mesmo modo pensamos que 2015 será o ano da nossa afirmação. Vamos escolher entre nós um possível candidato a prefeito e vamos disputar as prévias do partido. Este é o pensamento hoje. Com as prévias acreditamos numa mobilização ainda maior de todos os filiados. Até lá temos o dever de formar nossa militância de modo a entenderem que somente com a livre escolha, sem a pressão da corrupção, do assédio moral e das ameaças verbais, podemos ser verdadeiramente livres para tomar as decisões mais acertadas de acordo com nosso pensamento ideológico.

Conclamo as companheiras e companheiros que comungam do pensamento político da Ação Crítica a caminharem juntos pelo Partido dos Trabalhadores. Somente com a mobilização das filiadas e filiados podemos ter um partido crítico, ético e atuante.

Atrás do voto encontro decepção

Queimados é uma cidade com aproximadamente 75 km², 160 mil habitantes e pouco mais de 103 mil eleitores. Está situada a 50 km da capital do Estado do Rio de Janeiro. Emancipada em 1990 teve seu primeiro governo em 1993 recheado de denúncias de corrupção. Antes da emancipação eu pertencia a um grupo ligado a pessoa de Ivan Calais, então micro empresário que sempre se doou ao Partido dos Trabalhadores sem jamais ter sido reconhecido por seu empenho. Trabalhamos juntos pela emancipação com a produção e distribuição de panfletos apelando pelo SIM à autonomia política e administrativa do distrito de Queimados. Participamos com candidatura própria em 3 das 6 eleições majoritárias: 1992, 2004 e 2008 (eleito um vereador). Em 2010, eleições Estaduais e Nacional elegemos um deputado estadual e em 2012 fomos levados à uma aliança com o PMDB e elegemos a vice prefeita e reelegemos o vereador eleito quatro anos antes.

Pois bem; eu sou candidato a presidente do PT em Queimados, partido que desde o primeiro momento juntou-se aos emancipacionistas e colocou a disposição para a luta diária todo o seu contingente de filiados, coisa que não passava de algumas dezenas de indivíduos. Hoje o número de filiados passa dos 3 mil e aptos a votar no PED somam mais de 1500. Como candidato me pus a procurar parte deles porque, desde já, confesso, nossa missão é alcançar um percentual em torno dos 35%. Todos nós da Chapa Unidade, Força e Democracia sabíamos que nossa tarefa não seria fácil porque temos como adversários todos os comissionados e os eleitos (deputado estadual, vice prefeita, todos os chefes de gabinetes, dois secretários de governo e vários outros em cargos menores). Entre eles estão Getúlio Santos de Souza, ex-presidente e chefe de gabinete de uma das secretarias; Messias da Conceição, chefe de gabinete da outra secretaria; Elton Teixeira, secretário de Ação Social; Ribamar Dadinho, secretário de Cidadania; Cesar Mota, chefe de gabinete de secretaria de governo; Márcia Teixeira, vice-prefeita e esposa do deputado; o próprio deputado estadual Zaqueu Teixeira, entre outros.

Nunca me iludi achando que sairia vencedor de uma disputa onde analogicamente podemos nos referir ao mito bíblico Davi contra Golias. Nossa candidatura tem uma razão de ser: queríamos debater o partido que queremos. O debate literal não vai acontecer porque a Comissão de Organização Eleitoral é um poço de incompetência. Quem realmente cuida do processo era, por sua vez, representante da então candidata a presidente Márcia Teixeira (não sei se continua a ser representante da nova candidata substituta). Nossa candidatura está posta e vamos levá-la até o dia 10, às 17 horas, independente do que se pode constatar até aqui.

Apesar da enorme diferença entre as candidaturas postas minha decepção não ocorreu no embate propriamente dito, porque conhecendo as pessoas que comandam o grupo majoritário sabia desde sempre que seria assim. A decepção se deu na busca pelo voto propriamente dito.

Esta semana visitei alguns filiados. Claro que encontrei gente boníssima e disposta a ouvir, opinar e revelar suas angústias, frustrações e expectativas em relação ao PT, mas encontrei, também, pessoas que não deviam estar no PT. De um dos filiados visitados conheci visceralmente todos os seus problemas financeiros: cartão de crédito, cheque especial, dívidas de crédito e contas a pagar. Não se envergonhou em dizer que poderia nos ajudar, mas teríamos que ajudá-lo com suas pendências financeiras. Teve outro que revelou estar no PT por conta de alguém que seria candidato e não foi, mas não conhecia nada do PT e não estava disposto a se envolver no processo eleitoral. Quando soubemos de quem se tratava, lhe confidenciamos que jamais teríamos o seu voto porque aquele outro havia pedido ajuda pecuniária para nos ajudar e como nos recusamos a pagar ele, por sua vez, manifestou voto em quem já tem maioria. Pedidos de conserto de carros, ajuda com material de construção, ajuda pecuniária… Em que partido estou, caramba?! O que fizeram com o PT que ajudamos a construir?

As eleições internas viraram um grande balcão de negócios. A responsabilidade é de todos nós que permitimos isto, mas recai com mais peso sobre os que possuem mandatos porque para garantir o controle total do partido praticam o que nos discursos condenamos. Eu sabia desde o início do meu limite, mas agora até as possibilidades estão ameaçadas uma vez que não me sujeito a corrupção impregnada no partido. Não vou pactuar com isto ainda que me custe uma derrota acachapante.

O PED deveria ser a grande festa do PT

Porque o PT é o único partido que realiza eleições internas de tamanha envergadura este momento deveria ser uma grande festa dos filiados e filiadas do PT.

Quem disse que unidade partidária só se constrói com uma candidatura única?

Quaquá, candidato a presidente do Diretório Estadual RJ.

Quaquá, candidato a presidente do Diretório Estadual RJ.

Eu já participei de Congressos para eleição dos dirigentes petistas com mais de 1000 (mil) pessoas aptas a levantar o “crachá” e dizer quem gostaria que comandasse as atividades do partido. Era uma grande festa e com muitas candidaturas colocadas em disputa. Modernizamos (será?) e se os atuais dirigentes forem honestos bastante para entender que as disputas são importantes para o partido, neste PED o voto será em urna eletrônica e o resultado será conhecido poucos minutos após o fim do processo eleitoral.

Infelizmente depois que o partido conquistou algumas cadeiras nos vários parlamentos, algumas prefeituras, alguns Estados e a presidência da República, alguns dos eleitos se sentem detentores de mais direitos que a maioria dos filiados e filiadas. O próprio presidente Lula disse ao jornal espanhol El País que “El Partido de los Trabajadores (PT) ha cumplido 33 años de vida. Cuando llegas a eso, quienes empezamos a los 35 años debemos dar salida a una nueva generación. Este es un partido que fue creado por los trabajadores y dirigido por ellos, y se ha convertido en el más importante en la izquierda de América Latina” (El País), ou seja, prega a renovação partidária porque estamos envelhecendo gente! Mas esses que se acham com mais direitos que a maioria dos filiados e filiadas rechaçam esta ideia. Eles querem o partido para si.

Minha candidatura a presidente do PT em Queimados é um pouco contra isto. Fui um dos responsáveis pela candidatura de Zaqueu Teixeira a prefeitura de Queimados em 2004, mas não posso ser responsável pelo assenhoreamento do partido pelo seu mandato. Não posso ser responsável por tornar o partido na cidade um feudo familiar e vou lutar até o fim para que isto não se torne realidade.

O Artigo 80 do Estatuto diz que o partido tem que se reunir mensal e ordinariamente, mas desde o ano passado não se tem uma atividade do Diretório Municipal que se possa convidar o filiado ou filiada a estar presente. Tudo hoje gira em torno tão somente dos mandatos. Isso é intencional. Se o partido se reune e convoca a militância possibilita o surgimento de novas lideranças. Sempre surge um inconformado que se rebela contra a política adotada e são essas diferenças que garantem a lisura, o crescimento qualitativo e a democracia interna do Partido dos Trabalhadores.

As disputas sobre direção partidária deveria ser uma grande festa: a festa da democracia. Se esses caras usassem o lado direito do cérebro por um mínimo que fosse estariam estimulando as chapas concorrentes, ajudando-as, ainda que tivessem feito a escolha por uma para votar, mas como instituições que se tornaram não poderiam jamais tentar impedir as disputas, muito menos tentar impedir uma chapa de concorrer. Fazendo isto comprometem seus próprios futuros político porque não haverá consenso em 2016 e suas pretensões certamente encontrarão resistências.

Quando vivenciamos na prática situações que condenamos nos discursos ficamos com o amargo sabor de fim de festa quando a festa propriamente dita nem começou.